Xadrez Gun MUTANTES
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Xadrez Gun MUTANTES Capítulo 3

Memórias

Publicado em 15/09/2022

Terceiro Episódio

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Cena 1

Eu estou com meus novos amigos, eles estão falando sobre como descobriram ser mutantes e as reações de seus responsáveis:



— Eu começo! — Disse Dack — Eu descobri minha mutação desde sempre, quando eu era pequeno vivia correndo de um lado pro outro numa velocidade absurda! Minha mãe logo soube que eu era um mutante, mas escondeu isso do meu pai para não ter que me entregar! Mas quando eu fiz 12 anos, tentando por todo esse tempo esconder minha mutação, fui chamado para participar de uma corrida, e eu não neguei! Foi então que todos viram, dei três voltas na pista de uns 20 ou 30 kilómetros em menos de 1 minuto! Aí já era... Meu pai assim como todos viram que eu era um mutante, e mesmo sem a permissão da minha mãe, meu pai me entregou pro conselho de Mutantes e eu acabei aqui...



Enquanto ele conta, tentando ser devagar, Emi deita a cabeça do ombro dele, mas ele não parece se importar:



— Agora a minha e a da Emi! — Disse Rony — Nós além de irmãs gêmeas, éramos as mais novas de quatro, temos dois irmãos mais velhos, mas eles não são gêmeos, nós duas fomos o sonho realizado da nossa mãe de ter gêmeas idênticas, mas logo, nos tornamos o pesadelo dela, Emi e eu nunca escondemos nossa mutação, talvez por inocência, mas eu sempre quando queria pegar algo que estava em outro cômodo longe, ou quando ia pra escola, eu usava o teletransporte, já com Emi, a brincadeira favorita dela era voar, na peça teatral onde ela era uma borboleta, ela saiu voando de verdade, adivinha! Nós duas fomos descobertas pela bendita mídia e nossa mãe não teve uma graminha de pena, nem pensou duas vezes, nos entregou ao conselho, de acordo com ela, era mais seguro... Emi gosta de pensar assim, já eu acho que foi só um descarte.



— Bem, agora eu... — Disse Paul — Eu morava apenas com meu pai e ele amava caçar, um dia, eu peguei um fósforo enquanto limpava a cabana de caça dele e ele pegou fogo, tentei apagar o fósforo, mas quanto mais eu tentasse, mais ele queimava, no fim das contas, tudo pegou fogo, meu pai me perguntou o que eu fiz e eu respondi que não tinha feito nada, foi quando ele descobriu que eu era um mutante e me entregou pro conselho...



Todos olham pra Hiro, esperando a história dela:



— Eu odeio essa dinâmica... — Disse ela — Não vou participar...



— Hiro!! — Disse Dack — Não seja assim! Todos temos uma história!



— Mas eu não sou o tipo de pessoa que gosta de lembrar de coisa ruim...



— Hiroooooo!!! Por favoooooor! — Implorou Dack.



Hiro olha pra mim, pedindo mentalmente que eu dissesse que eu queria falar minha história primeiro, mas eu não o fiz, então ela suspira em sinal de rendição:



— Eu conto... — Ela diz — Eu morava com as minhas tias, indo pra mão de uma e pra mão de outra, de outra e de outra toda semana, isso fez eu nunca ganhar atenção suficiente para notarem que eu era uma Mutante, então sempre que eu pegava um copo de vidro e ele quebrava por eu fazer sem querer mais força do que eu devia, elas achavam que era normal e me colocavam de castigo... Até aquele dia, eu estava com a minha tia mais velha, foi quando na escola, uma menina fez Bullying com minha melhor amiga, e para defender ela, eu bati na menina, mas em vez de ser apenas um soco, a pancada arremessou ela até o final do corredor... Eu fui pra diretoria, meu ato não foi apenas agressão, como também foi um ato suspeito de mutação... Eles descobriram que eu era uma mutante, então para se livrarem do fardo que eu era, minhas tias me entregaram ao conselho, nenhuma das quatro negou...



Ela parecia querer chorar, mas só se eu prestasse muita atenção em seus olhos, eu notaria, porquê sua expressão fria esconde qualquer sentimento de dor e raiva...

Então a atenção de todos se vira pra mim:



— Bem, — Eu começo — eu sempre fui uma pessoa normal, até que ontem mesmo, eu estava com meu amigo e sem querer dei um curto circuito no celular dele, depois daquilo, percebi coisas estranhas acontecendo, por exemplo tocar em algo elétrico desligado e ele ligar... Eu contei isso aos meus pais com a plena certeza de que eles me ajudariam, mas em vez disso... Meu pai me expulsou de casa e disse que eu não era mais filho dele...



Sinto uma mão no meu ombro, então vejo Rony:



— Bem-vindo ao time... — Ela diz.



Hiro levanta e sai andando, Dack fica preocupado e obviamente com vontade de seguir ela, mas então eu o faço primeiro, ele não queria acordar Emi que dormia tranquilamente em seu ombro.

Eu saio do colégio e vejo Hiro escorada no muro, sentada com a cabeça entre os braços, eu vou até ela e me sento ao seu lado, ela olha pra mim:



— Decidiu me seguir garoto elétrico? — Ela Perguntou.



— Você pareceu incomodada em contar a sua história...



— Não gosto de lembrar... Tudo que eu passei...



— Não posso dizer que entendo...



— Mas entende...



Eu fico surpreso, ela está dizendo que eu entendo...



— Você me entende... Pelo jeito que você reagiu... Ser expulso de casa... Sem ter pra onde ir...



— Eu...



Eu olho pra Hiro e vejo que seus olhos estão cheios de lágrimas, então eu enxugo as lágrimas dela:



— Algum dia isso vai passar... — Eu digo.



Ela me abraça, vejo que ela está tentando ser delicada no abraço, algo difícil já que sua força é imensa, eu a abraço de volta, então eu olho pra cima, pro céu escuro, a noite está dominante, ser um mutante mudou minha vida, e pelo visto pra sempre...

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- Lua Cordial
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